Política
‘Acreditar nisso é uma fantasia’, diz Alex Santana sobre ponte Salvador-Itaparica

O novo secretário municipal de Relações Institucionais, Alex Santana (Republicanos), fez duras críticas ao projeto da Ponte Salvador-Itaparica durante entrevista à CBN Salvador nesta sexta-feira (24).
Para ele, a promessa da obra, discutida há anos, já não se sustenta diante da falta de avanços concretos.
“Acreditar nisso é uma fantasia. É mentir para si mesmo. É um projeto que foi vendido há 17 anos, mas você não vê andamento”, afirmou.
O deputado federal licenciado também criticou tentativas de passar a impressão de que a obra está em execução.
Ele citou como exemplo uma postagem nas redes sociais do secretário estadual de articulação política, Adolpho Loyola, que publicou no Instagram uma imagem de uma ponte em construção na China, sem ressalvar que não se tratava do projeto baiano.
“Passa a ideia de que está em construção, quando na verdade você vende ali uma mentira. E a gente não está mais na fase de acreditar nisso”, completou.
Ferry-boat precário e isolamento de Salvador
Ao ampliar o debate sobre mobilidade, Alex Santana apontou o que considera abandono de modais importantes no estado.
Ele destacou que Salvador segue dependente praticamente de um único acesso rodoviário.
“Se você olhar a geografia de Salvador, só tem uma saída. A BR-324 é ultrapassada, cheia de problemas”, disse.
Sobre o sistema ferry-boat, o secretário afirmou que a situação se arrasta há décadas sem solução. “Nem o ferry presta um serviço de qualidade e nem a ponte sai. Então a população fica sofrendo”, criticou.
“Falta vontade política”
Questionado sobre os entraves em obras e concessões, Alex foi direto ao apontar o que considera o principal desafio do governador Jerônimo Rodrigues (PT): “Na minha visão, falta vontade política para resolver os problemas”.
Ele citou como exemplo a saída da ViaBahia da administração das rodovias federais, após pressão política, mas criticou a ausência de soluções definitivas.
“Hoje estamos à mercê do DNIT, que também não presta um bom serviço”, atestou.
Críticas ao governo Jerônimo
Aliado do pré-candidato ao governo ACM Neto (União Brasil), o secretário também fez uma avaliação negativa da atual gestão estadual.
“Você não encontra nesses últimos anos nada que você possa apontar como um grande projeto de governo para a Bahia”, declarou.
Apesar disso, ele fez uma ressalva em relação à gestão anterior. “Em Rui Costa você ainda encontrava alguma marca. No governo atual, não vejo”, completou.
Saída da Câmara foi decisão pessoal
Alex Santana também explicou os bastidores da decisão de não disputar a reeleição para deputado federal. Segundo ele, embora a mudança tenha aberto espaço para o retorno de Marcelo Nilo à Câmara, a escolha já estava tomada antes mesmo do convite para assumir a secretaria.
“Foi uma decisão pessoal. Eu entendi que não valia a pena continuar naquele momento”, disse.
Ele revelou que o movimento também atendeu a um pedido dentro do seu grupo político. “Neto me pediu esse gesto, e eu fiz. Poderia ter dito não, mas entendi o contexto”, afirmou.
Integrante da Assembleia de Deus, Santana revelou ainda que irá apoiar as pré-candidaturas de Abraão Reis para a Câmara e Samuel Júnior, ambos do PL, à Assembleia Legislativa.
Perfil conciliador e nova função
Com poucas semanas no cargo, o secretário destacou o desafio de atuar na articulação política da Prefeitura de Salvador. “É uma pasta que exige diálogo, conversa, saber ouvir. É o que eu sempre fiz”, disse.
Ele afirmou que pretende manter uma relação equilibrada com a Câmara de Vereadores, que terá votações importantes este ano, a exemplo do Plano Municipal de Segurança Pública e o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU).
“Na política você pode divergir, mas não pode romper o diálogo”, pontuou.
Peso dos evangélicos na política
Durante a entrevista, Alex também comentou a influência do eleitorado evangélico. “É um segmento muito forte e que hoje tem voz, tem organização e influencia diretamente as eleições”, avaliou.
Na sua avaliação, políticos de diferentes campos ideológicos têm buscado aproximação com o público. “A política se adapta ao que a sociedade pensa. E esse segmento precisa ser ouvido”, disse.
No entanto, ele criticou o que chamou de oportunismo político em discursos voltados ao eleitorado. “O eleitor precisa buscar a essência. Não adianta discurso só para agradar”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:
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