Justiça
Justiça proíbe abate de jumentos na Bahia por maus-tratos e risco de extinção

A Justiça Federal determinou a proibição do abate de jumentos na Bahia, em decisão considerada histórica por entidades de proteção animal. A medida foi tomada após o reconhecimento de maus-tratos e riscos à sobrevivência da espécie.
A decisão foi assinada pela juíza Arali Maciel Duarte e atende a uma ação civil pública movida por organizações de defesa animal.
Proibição vai além do abate
Além de impedir o abate, a decisão determina que também sejam suspensas atividades como:
- Captura de jumentos
- Comercialização para esse fim
- Confinamento em abatedouros
Os animais que já estavam em frigoríficos deverão ser encaminhados para santuários de proteção.
Maus-tratos foram determinantes
A sentença se baseou em provas que apontaram situações graves de crueldade, incluindo:
- Falta de água e alimentação
- Transporte inadequado
- Animais mortos ou agonizando antes do abate
Relatórios, vídeos e registros técnicos indicaram condições precárias no manejo dos animais, reforçando a decisão judicial.
Risco de extinção da espécie
Outro ponto central foi o risco de desaparecimento dos jumentos no Brasil. Dados apresentados no processo indicam queda acentuada da população ao longo dos últimos anos.
Especialistas apontam que a exploração intensiva, principalmente para exportação de couro, pode levar a espécie à extinção caso continue no ritmo atual.
Ligação com mercado internacional
O aumento do abate está relacionado à exportação da pele dos animais para a China, onde é utilizada na produção do ejiao, substância da medicina tradicional.
Essa demanda internacional impulsionou a atividade no Brasil nos últimos anos, especialmente na Bahia.
Decisão vale apenas para a Bahia
A proibição tem efeito imediato, mas é válida apenas no estado da Bahia. A magistrada destacou que não há, neste momento, decisão abrangente para todo o país.
Ainda assim, o caso pode influenciar debates jurídicos e ambientais em outras regiões.
Debate continua
Apesar da decisão, o tema segue em disputa judicial e pode ser alvo de recursos.
De um lado, entidades defendem a preservação da espécie e o fim definitivo da prática. Do outro, setores econômicos argumentam que a atividade gera renda e pode ser regulamentada.
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