Política
Diego Castro endurece cobranças a ACM Neto: ‘O eleitor quer posicionamento. Ou é quente ou é frio’

O deputado estadual Diego Castro (PL) subiu o tom contra o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e deixou evidente, em entrevista à CBN Salvador, que ainda não se sente confortável para declarar apoio à pré-candidatura do vice-presidente nacional do União Brasil ao governo da Bahia.
Para o parlamentar, o principal problema não é apenas a ausência de um gesto formal do postulante em direção ao presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, mas a falta de diálogo com a ala bolsonarista e conservadora que, segundo ele, foi decisiva para levar a oposição ao segundo turno em 2022.
“O que eu tenho escutado de norte a sul, de leste a oeste da Bahia, é o mesmo cenário: não dá para ficar em cima do muro”, afirmou.
Diego disse haver uma cobrança crescente dentro do eleitorado de direita para que Neto assuma uma posição mais clara na disputa nacional. Na avaliação dele, não faz sentido pedir engajamento total da base bolsonarista na Bahia enquanto o grupo de oposição evita se comprometer com a candidatura presidencial apoiada pelo PL.
“Não pode haver apenas o esforço do lado direito. A gente vai para a rua, vai se doar, vai se jogar de cabeça. Mas também precisa haver reciprocidade”, disse.
“Falta diálogo”, aponta deputado
Ao longo da entrevista, Diego repetiu diversas vezes que o maior problema da relação entre o PL e ACM Neto é a ausência de diálogo, apesar de o presidente estadual do partido, João Roma, estar na majoritária como pré-candidato ao Senado.
Segundo ele, parlamentares e lideranças identificadas com o bolsonarismo não foram chamados para participar das discussões sobre a formação da chapa de oposição nem para apresentar sugestões de propostas que dialoguem com o eleitor conservador.
“Em nenhum momento eu fui chamado para opinar e reverberar o que esse público quer”, reclamou.
O deputado afirmou ainda que a insatisfação da ala bolsonarista vai além da disputa presidencial e passa também pela ausência de compromisso claro com temas considerados prioritários para o grupo, como segurança pública, liberdade econômica, redução de impostos, defesa da fé cristã, direito de propriedade e oposição ao aborto.
Para Diego, o discurso atual da oposição ainda está muito concentrado na crítica ao PT e pouco focado em propostas concretas.
“A gente não quer apenas mudar a cor da bandeira. A gente quer saber quais são as mudanças reais”, afirmou.
Segurança pública entra no centro do debate
Apesar de grande parte da entrevista ter girado em torno da relação entre ACM Neto e o PL, Diego também aproveitou para cobrar propostas mais detalhadas para a segurança pública, área em que se consolidou como uma das vozes mais ativas da oposição.
Ele criticou os baixos salários das polícias Civil e Militar da Bahia, reclamou da falta de valorização das carreiras e disse que o futuro governador precisará regulamentar pontos da nova Lei Orgânica das Polícias até 2029.
“O policial civil chega ganhando pouco mais de R$ 5,8 mil e encerra a carreira com cerca de R$ 7 mil. É uma das piores progressões do Brasil”, disse.
O parlamentar afirmou que ACM Neto já sinalizou preocupação com o tema, mas voltou a cobrar medidas concretas.
“O eleitor quer ouvir proposta. Quer saber o que vai ser feito de verdade”, pontuou.
Diego rejeita neutralidade e diz que cenário está polarizado
Na visão do deputado, o ambiente político atual é muito diferente daquele de 2022, quando ACM Neto evitou se posicionar nacionalmente entre Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para Diego, o cenário de agora é ainda mais polarizado e não há espaço para candidaturas de centro ou discursos moderados.
Ele fez críticas indiretas ao ex-governador Ronaldo Caiado (PSD-GO), tratado por ele como um nome de centro-direita que pode retirar votos do bolsonarismo e dificultar uma polarização direta entre Flávio e Lula.
“O eleitor quer posicionamento. Ou é quente ou é frio”, resumiu.
Base conservadora pode não embarcar integralmente
Embora tenha evitado afirmar categoricamente que o PL ficará fora da campanha de ACM Neto caso o ex-prefeito não declare apoio a Flávio Bolsonaro, Diego deixou claro que haverá dificuldade para convencer a militância conservadora a se engajar.
Ele lembrou que, no segundo turno de 2022, muitos eleitores bolsonaristas se recusaram a votar em ACM Neto por não enxergarem diferença entre os projetos apresentados pela oposição e pelo PT.
“Eu fui fazer campanha no segundo turno. De cada dez pessoas que recebiam um santinho, sete diziam: ‘Nele eu não voto’”, contou.
Mesmo assim, Diego disse que o PL continuará a fazer oposição ao governo Jerônimo Rodrigues e atacar a gestão petista, independentemente da posição que vier a ser adotada por ACM Neto.
“Nós vamos continuar denunciando os desmandos do PT. Mas o que a gente quer é comprometimento real com as pautas que esse povo defende”, afirmou.
Deputado nega rompimento, mas admite desconforto
Questionado diretamente sobre declarações de integrantes do PL de que ACM Neto estaria “tratando o partido como cachorro”, Diego evitou usar a expressão, mas admitiu desconforto.
“Maltratado talvez seja um termo mais radical. Agora, que está faltando diálogo, está”, respondeu.
O deputado também evitou anunciar qualquer rompimento formal com a oposição, mas deixou no ar que o apoio do bolsonarismo não será automático.
“Se não tiver posicionamento, vai ser muito difícil explicar para essa base por que apoiar alguém que não demonstra compromisso com aquilo que ela acredita”, concluiu.
Confira a entrevista na íntegra:
Fonte: Blog do Vila
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